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Hoje é terça-feira, 12 de dezembro de 2017

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Ar condicionado faz mal?

Primeiro, um esclarecimento: o ar-condicionado, em si, não é um vilão para o corpo. Sem dúvida, a engenhoca dá uma baita ajuda para driblar o calor excessivo do verão. "O problema é que, para diminuir a temperatura, ele suga o ar do ambiente e retira umidade. E a umidade baixa causa uma série de incômodos", explica o pneumologista Ubiratan de Paula Santos, do Instituto do Coração, em São Paulo. "O ideal é, ao ligar o aparelho, aumentar a oferta de água no cômodo, o que não acontece na maioria das vezes", completa. Com o ar seco, as vias aéreas ficam prejudicadas e irritadas (veja no quadro à direita como a queda na umidade relativa do ar afeta o organismo). Para ficar confortável, a umidade do ar deve permanecer entre 50 e 60%.

Fora a secura, a boa conservação desse eletrodoméstico é importante para garantir que uma outra dor de cabeça não chegue junto com aquela sensação geladinha. É que, sem limpeza regular, o filtro acumula partículas de poluentes, além de fungos e bactérias. "Com o tempo, a qualidade do ar interno chega a ficar pior do que a da rua", alerta Santos. Em escritórios, por exemplo, a pouca manutenção do equipamento contribui para a proliferação de vírus como o da gripe, já que a transmissão se intensifica em ambientes fechados. "É a chamada síndrome do edifício doente, quando infecções respiratórias são propagadas entre colegas de trabalho por causa do ar contaminado", explica o alergologista João Negreiros Tebyriçá, presidente da Associação Brasileira de Alergia e Imunopatologia.

Por falar em alergia, quem sofre com ela, aliás, precisa ficar mais atento aos efeitos de tanta refrescância na atmosfera. Além dos senões da umidade e da manutenção, o choque térmico de transitar do calorão para o local climatizado costuma desencadear uma crise em quem sofre com rinite, bronquite e outras ites. Quando o nível do termômetro despenca, um mecanismo conhecido como reflexo colinérgico é acionado na gente como uma espécie de reação de defesa. Essa resposta ao frio repentino provoca espirros, congestão nasal e tosse.

"Os alérgicos apresentam uma sensibilidade maior no nariz e nos brônquios mesmo quando a mudança não é tão brusca. Some-se isso à baixa umidade e os ataques aparecem", expõe Tebyriçá. Não ficar prostrado na frente da saída de ar já ameniza a situação. Outras medidas bem fáceis de adotar possibilitam que você alivie o suadouro sem que nenhuma encrenca dê as caras.

Contra a seca repentina instalada nos cômodos refrigerados, o segredo é hidratar-se e proteger-se contra o frio (veja mais detalhes no quadro à direita). E, se você dorme com o ar ligado, melhor maneirar. "Se ele funciona durante várias horas, a recomendação é não deixar a temperatura muito baixa para que as mucosas não ressequem ainda mais", orienta o alergologista Gustavo Graudenz, da Universidade Nove de Julho, na capital paulista. Uma estratégia eficaz é umedecer o nariz com soro fisiológico antes de cair na cama e deixar um copo d’água por perto para bebericar entre os intervalos do sono.

Ao acordar, abra as janelas. Afinal, é indispensável que os espaços da casa estejam sempre arejados, não importa quão limpo o filtro do ar-condicionado esteja. "Deixar a janela escancarada traz ventilação natural e aumenta a renovação do ar do ambiente", conta Graudenz. E isso também é válido para o carro e, se for possível, no escritório, ainda que por pouco tempo.

Por último, não se esqueça de reparar no total de energia consumida pela máquina e se a limpeza dela é fácil. "Higienizar corretamente não é essencial só para a saúde, mas para que o sistema de refrigeração funcione bem, diminuindo o gasto energético", explica o ambientalista Jorge Colaço, da empresa Recigases, no Rio de Janeiro. A conta de luz diminui, o planeta agradece e seu corpo, agora refrescado, também.


Fonte : Revista Saúde

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